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O Ensino Bilingue: Projecto de Apoio ao Ensino Básico no Arquipélago dos Bijagós (PAEBB)

Os antecedentes

Em 1986-87, os CEEF – Centros Experimentais de Educação e Formação (uma iniciativa promovida pela ONGD portuguesa CIDAC, em colaboração com entidades guineenses, Comunidade Europeia e várias cooperações europeias) deram início a um projeto de ensino bilingue com o objectivo de experimentar a implementação de um currículo do ensino primário adaptado à diversidade cultural, a formação de professores integrada e decorrente das actividades lectivas, a utilização da língua crioula como língua de ensino e área curricular e o ensino do português, língua oficial, com uma metodologia de língua estrangeira.

Em 1998, o projecto recebeu um grande impulso a partir de uma Mesa Redonda realizada em Bubaque, organizada pela FASPEBI, em parceria com o CIDAC e a União Europeia, que contou com a participação de 80 pessoas, entre as quais a Ministra da Educação e o Diretor do Ensino Básico de então.

Deste encontro saíram algumas recomendações importantes, tendentes a melhorar a utilização do Crioulo guineense como língua de ensino, entre as quais:

- adotar um documento legal que fixe a ortografia e a fonologia do Crioulo guineense;

- adequar metodologias para a transição do ensino em crioulo guineense para o ensino em Português;

- apostar na formação dos professores;

- diferenciar o ensino do Português como língua materna do ensino de Português na Guiné-Bissau, onde tem o estatuto de língua estrangeira “privilegiada” por ser a língua oficial e por ser uma das bases do Crioulo guineense.


Arranque e evolução do projecto

Em 2000, a Comissão Europeia deu luz verde ao financiamento do projecto “Apoio ao Ensino Básico no Arquipélago dos Bijagós”, que contava com a FASPEBI como organização promotora e que se propunha desenvolver, nos quatro anos de escola primária, os seguintes programas:

a) Primeira fase (1.ª e 2.ª classes)

Começar com a oralidade em Crioulo guineense e depois passar à escrita em Crioulo e à introdução da oralidade em Português. Ao mesmo tempo, são desenvolvidas as outras disciplinas do ensino oficial.

b) Segunda e terceira fases (3.ª e 4.ª classes; 5.ª e 6.ª classes)

Quando os alunos são capazes de ler e escrever em Crioulo guineense, iniciam progressivamente a aprendizagem da leitura e da escrita da língua portuguesa. É uma fase em que o professor e os materiais didácticos devem prestar muita atenção às semelhanças e às diferenças entre as duas línguas de ensino para permitir aos alunos perceber os dois códigos diferentes.

O objectivo desta fase é que os alunos atinjam o nível de Português exigido pelos programas do ensino oficial. Nesta fase, o Crioulo guineense continua como disciplina e como língua de ensino, juntamente com as outras disciplinas do ensino oficial.

No ano escolar 2000-2001, o PAEBB começou com a primeira Classe. Foram elaborados os manuais escolares de apoio para as disciplinas de Crioulo e de Português (como língua segunda privilegiada) e uma Gramática e um Dicionário bilingue Crioulo-Português. Para as disciplinas de Matemática, Ciências Sociais, Caligrafia e restantes disciplinas, o Projecto adoptou os manuais da Editora Escolar.

No ano escolar 2011-2012, estão já em funcionamento os programas de todas as classes do ensino básico, abrangendo um total de 12 escolas e 1600 alunos em 4 ilhas do Arquipélago dos Bijagós.


Objectivos do projecto

Geral:

Re-estruturar e apoiar algumas estruturas educativas do Ensino Básico do Arquipélago dos Bijagós, através da integração das lógicas subjacentes aos saberes locais e da que pressupõe o desenvolvimento económico, do relacionamento das atividades escolares com atividades de desenvolvimento local e da aproximação da escola à comunidade.

Específicos:

a) Aproximar a escola da comunidade em que está inserida:

b) Ajudar as instituições responsáveis pela Educação na Guiné-Bissau, particularmente nos Bijagós, a continuar a pedagogia do ensino bilingue (Crioulo-Português), já adotada pelo CEEF nos anos 1986-1994;

c) Adotar uma grafia, uma gramática e um léxico da língua crioula;

d) Melhorar o ensino da língua portuguesa, adotando a pedagogia do ensino de língua segunda privilegiada;

e) Proporcionar um ensino de qualidade atualizado e consciente dos problemas globais que afetam a humanidade e, particularmente, do contexto regional onde se inscreve, dando grande atenção às questões relacionadas com a preservação do ecossistema do arquipélago, com o aumento do turismo e com a chegada da modernidade, cujos parâmetros chocam com a cultura tradicional dos Bijagós.

f) Por isso é necessário procurar que o ensino tenha uma aplicação prática e positiva na vida futura dos alunos, na comunidade em que estes estão inseridos;

g) Preparar esquemas de formação e de reciclagem de Professores, especialmente nas áreas da didática, do Português e da mediação cultural entre o tradicional e a modernidade;

h) Preparar uma equipa de técnicos/formadores para acompanhar de forma sistemática o desenrolar do ano escolar com deslocações frequentes às escolas.

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