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POPULAÇÂO E GEOGRAFIA DE BIJAGÓS


(tomado da "Etnologia dos Bijagós da Ilha de Bubaque" (1978),
escrito pelo pesquisador da antropologia, Luigi Scantamburlo)

 
 

A população do Arquipélago de Bijagós

Segundo um cálculo recente, o arquipélago é habitado por 15 000 a 20 000 pessoas, das quais 90 % são bijagós. No recenseamento de 1950 eram 9 200, perfazendo cerca de 2 % da população total da Guiné-Bissau, sendo esta cifra mais baixa alguma vez apresentada, pois os estudos anteriores revelavam um número muito mais elevado. Em 1935, Landerset Simões calculou-os em 25 000 e em 1889 o governador Joaquim da Graça Correia e Lança avaliou a sua população em 50 590. Embora pudesse ter sido um exagero, o que seria devido um tão grande decréscimo?

Alguns dos mais velhos disseram-me que a chegada dos europeus à ilha de Bubaque, primeiro os colonizadores ingleses e alemães e mais tarde os portugueses, fui uma verdadeira catástrofe para eles, que estavam habituados a uma vida livre e independente nas ilhas, com abundância de frutos e espaço livre à volta das tabancas para cultivarem mandioca, amendoim, feijão e outros frutos e vegetais. Tinham arrozais cultivados pela técnica do corte e queimada e não podiam aceitar o tipo de trabalho imposto pelos europeus nem satisfazer as suas exigências. Eram requisitados para trabalharem nas quintas experimentais, na produção do óleo de palma e também para ajudarem na construção de casas, estradas e do porto do centro de Bubaque.

Tudo isto constituiu uma violência psicológica para o povo e quebrou para sempre o ritmo cíclico da agricultura que possuíam há séculos. Estavam acostumados a um trabalho agrícola duro durante a estação da chuva à pesca, recolha de frutos e realização de cerimónias religiosas obrigatórias durante a estação seca.

Até agora ainda não conseguira deter a invasão das plantas selvagens no mato próximo das tabancas, o que tem implicado uma redução na área cultivada para as colheitas suplementares, nomeadamente o amendoim, a mandioca, o feijão e os frutos. Hoje em dia, quase todas as tabancas da ilha estão rodeadas de mato cerrado, as árvores de fruto escasseiam e a maior parte das vezes os frutos são comidos pelos macacos, que podem chegar perto das casas por causa das árvores numerosas. Outro sinal evidente do declínio da vida económica dos Bijagós são as ruínas que se encontram nalgumas tabancas e que indicam a prosperidade de que gozavam há duas ou três gerações.

Desde a independência existe maior assistência médica e pela primeira vez as escolas primárias servem todas as crianças. Algumas tabancas readquiriram nova vitalidade e esperança num desenvolvimento e prosperidade futuros.

 
Geografia

A ilha de Bubaque, com uma área de 48 kmq, dezoito dos quais são pântanos alagados pelo oceano durante a maré alta, está situada no canto sudeste do arquipélago. É a ilha mais afectada pela presença dos europeus, escolhida pelos colonizadores alemães antes da I Guerra Mundial e pelo Governo Português depois de 1920, como o centro principal das suas actividades no arquipélago. Os alemães construíram aqui uma fábrica para a extracção do óleo de palma (Elaeis guineensis); um porto para navios de pequena e média tonelagem na parte setentrional e uma quinta experimental em Etimbato. Durante a ocupação colonial, que terminou em Agosto de 1974, Bubaque era o centro dos serviços administrativos de todo o arquipélago, com um administrador português residente e outros funcionários. Em 1952, a igreja católica, através de presença permanente de um missionário, e a missão protestante, começaram a sua acção na ilha. A construção de um pequeno hotel para turistas aumentou a presença dos europeus. A enorme praia de Bruce, situada na parte meridional, constitui uma atracção especial para os turistas e está ligada ao centro administrativo de Bubaque por uma estrada asfaltada desde 1976.

As comunicações com Bissau são possíveis através de pequenos aviões e barco. Todos os sábados à tarde chega um navio com capacidade para 200 passageiros e regressa a Bissau no dia seguinte. Mais hotéis e um grande aeroporto estão agora a ser construídos para desenvolver a capacidade turística da ilha.

O clima é do tipo subtropical, com chuvas abundantes, cuja precipitação média anual é de 1500 a 2000 mm, durante a estação das chuvas, de meados de Maio até meados de Novembro. A temperatura média é cerca de 33°C durante a estação seca e de 25°C durante a estação das chuvas, e a sua variação diária é muito ampla. À noite, sobretudo entre Dezembro e Fevereiro, a temperatura desce para 10°C ou mesmo 8°C e as pessoas têm de abrigar-se nas suas cabanas para se aquecerem.

A maior parte da ilha é coberta de palmeiras de óleo, cuja cultura foi desenvolvida pelos colonizadores alemães no princípio do século. A outra vegetação, do tipo floresta, inclui uma variedade de plantas da Região subtropical. As árvores de grande porte mais importantes, muitas vezes centros sagrados para as cerimónias religiosas, são os chamados poilões (Eriodendrum anfractuosum) e os embondeiros (Andansonia digitata). Nos arredores das tabancas, as árvores de fruto mais comuns são as mangueiras, os cajueiros, as laranjeiras, os limoeiros e as papaeiras. A caça, que se encontra nas outras ilhas (gazela, cabra-do-mato, hipopótamo, crocodilo), desapareceu da ilha de Bubaque. No entanto os macacos e os tecelões (Proceus cucullatus), tão perigosos para a agricultura, são ainda bastante numerosos.

Em Novembro de 1976, a ilha contava com 2172 habitantes, cerca de 757, metade dos quais não bijagós, habitavam no centro de Bubaque e 1415 viviam nas doze tabancas da ilha.

A estatura media dos Bijagós é de 1,70 m para os homens e 1,60 m para as mulheres. Como a maioria dos povos do grupo atlântico-ocidental, a cor da sua pele é castanha, com algumas tonalidades de castanho muito escuro. Têm poucos pêlos no corpo e os rapazes usam o cabelo comprido, geralmente enrolado e entrançado da mesma forma que as mu1heres. Devido à presença dos serviços administrativos e das escolas construídas nos últimos trinta anos, Bubaque possui a mais alta percentagem de escolarizados do arquipélago.

Os Bijagós concordam em que duas ou três gerações atrás as ilhas eram mais povoadas.

 
A Vida Economica dos Bijagós

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